2006-2010

Artigos publicados no Blog Psicologia e Trânsito no período de 2006 a 2010.
 
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Créditos: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), mestre em psicologia e especialista em gestão de pessoas. Atualmente é doutorando em psicologia na Universidade de Brasília e pesquisador do Laboratório de Psicologia Ambiental, onde desenvolve estudos sobre o comportamento no trânsito. Administra o Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordena a Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

Estresse no trânsito: o que é e como evitar?

postado em 24 de ago de 2011 22:44 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:52 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

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“- Rapaz, sabe o que mais me estressou neste ano que passou?”, perguntou-me um amigo, em um momento relaxante no cafezinho, gozando suas merecidas férias.

“- Não!”, lhe respondi, curioso pela sua resposta.

Mirando a rua movimentada e barulhenta ao nosso lado, disse-me:

“- O trânsito! Nele enfrento, cotidianamente, situações que estragam o meu dia. Dirigir foi o que mais me deixou estressado. O trânsito está cada vez pior!”, desabafou com um ar de alívio por não estar ao volante naquele momento, quase sentindo pena dos motoristas que por ali transitavam.

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Atualmente, falar de estresse no trânsito é bastante comum. O diálogo acima demostra um pouco isso. Mas, o que é estresse? Quais são os motivos que levam as pessoas a se estressar no ambiente do tráfego? Como evitá-los?

A palavra estresse tem origem inglesa (stress) e, na linguagem médica, o termo tem um sentido próprio: significa um estado de tensão em que o organismo se prepara para enfrentar ou fugir do perigo. Assim, o estresse, por si só, não é algo ruim; porém, quando estamos expostos constantemente à sobrecargas emocionais, isto pode ser prejudicial à nossa saúde.

O estresse não afeta as pessoas da mesma maneira, depende das características de cada um, do momento de vida e da fonte que o produz. O estresse se expressa em nosso corpo por meio de um conjunto de sinais e sintomas que podem ser físicos (por exemplo, dores nas articulações, na coluna) e/ou psicológicos que podem se manifestar nos comportamentos agressivos e inadequados. Os telejornais têm mostrado repetidas vezes as reações agressivas das pessoas no trânsito, visando causar danos físicos ou psicológicos de maneira intencional.

Várias situações do trânsito são muito desgastantes. Os motivos do estresse, portanto, podem variar para motoristas, passageiros, ciclistas ou pedestres. Muitos condutores se estressam com os eventos que produzem perda de tempo, isto é, ser atrapalhado por outros motoristas, dirigir nos horários de pico e ficar atrás de carros muito lentos. Os contratempos que surgem, como as obras sem sinalização adequada na via, e os engarrafamentos em horários incomuns podem aumentar a tensão pela imprevisibilidade e falta de controle da situação.

Alguns motoristas de ônibus, por exemplo, tendem a compensar a perda de tempo no trânsito não parando para os passageiros, colocando o veículo em movimento antes do embarque/desembarque e aumentando a velocidade do veículo em outros trechos, o que aumenta o risco de acidente. Estes comportamentos podem ser indicadores interessantes para as empresas de transporte e de seguro intervirem junto ao ambiente de trabalho do condutor, buscando identificar as raízes desses problemas.

É necessário entrar no veículo preparado para enfrentar as adversidades, a fim de não “estragarmos o nosso dia”. Vale a pena planejar o itinerário antes de sair de casa e as atividades que serão desenvolvidas, sabendo que fatos inesperados poderão acontecer e gerar aborrecimentos; como disse, a percepção da perda de tempo pode produzir estresse.

Experimentar e incentivar o uso de diferentes modos de transporte também pode ser interessante, uma vez que, em muitas cidades, usar o automóvel para ir ao trabalho e/ou universidade é bastante estressante. Algumas evidências indicam que caminhar e andar de bicicleta pode ser bastante interessante, relaxante, excitante e prazeroso, além de fazer bem para a saúde e para o meio-ambiente.

A infra-estrutura de transporte precária pode contribuir para o estresse. É fundamental que as autoridades façam um bom gerenciamento do trânsito, comunicando as mudanças na via, e ofereçam estradas seguras (asfalto sem buraco e sinalização). No caso dos motoristas profissionais (taxistas, motoristas de ônibus, motoboys e perueiros), as condições de trabalho inadequadas podem ser outra fonte de desgaste. É essencial que as empresas de transporte ofereçam suporte psicológico, que planejem e reavaliem periodicamente o tempo para cumprir os itinerários, pois o trânsito é muito dinâmico.

A música pode aliviar o estresse, facilitando o relaxamento, mas não em todos os casos. Um estudo canadense mostrou que, em situações de muito congestionamento, os motoristas que ouviram músicas de sua preferência no caminho para a escola ou trabalho relataram ter menos estresse do que aqueles que não ouviram música. Em situações de pouco congestionamento, o nível de estresse foi semelhante nos dois grupos. Embora os benefícios da música, uma ressalva a ser feita é que, ajustar o rádio, cassete ou cd player estão entre as maiores fontes de desatenção dos motoristas, o que pode ser perigoso. O volume alto de som dentro do veículo também pode ser prejudicial à condução segura, por diminuir a nossa capacidade de identificar os estímulos sonoros na via.

E o passageiro, pode produzir estresse no motorista? Sim, ele pode ser considerado uma fonte de estresse quando conversa. Existem evidências de que a desatenção do motorista pode ocorrer dependendo do assunto, especialmente aquelas mais acalorados que geram euforia e raiva (brigas, discussões, comunicação de más notícias). Nota-se, aqui, a co-responsabilidade do passageiro na segurança de todos no veículo. Não esqueçamos: dirigir é uma atividade complexa; isto quer dizer que as fontes de desatenção devem ser evitadas e/ou minimizadas.

Amigo leitor, vimos o que é estresse, como ele nos afeta e o que podemos fazer para não sofrermos tanto. Mas, o que você - enquanto motorista, passageiro, ciclista ou pedestre - pode fazer para não estressar os outros participantes do trânsito? Isso é importante para que não seja tão comum escutarmos desabafos semelhantes aos do início do texto: “Dirigir foi o que mais me deixou estressado. O trânsito está cada vez pior!”.

Intervenção Profissional em Instituições de Transporte

postado em 24 de ago de 2011 22:33 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:51 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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Com alguma frequência, tenho recebido e-mails de estudantes, estagiários e profissionais perguntando ou pedindo sugestões sobre “o que” e “como” desenvolver atividades nas instituições de transporte as quais estão vinculados.

 
Questionamentos desse tipo podem evidenciar certa insegurança em identificar o que é importante fazer dentro de uma organização de transporte, ou seja, aquilo que vale a pena investir tempo, dedicação e esforço pessoal. Sugerem ainda a possível existência de algo (p.ex., uma técnica, um programa, um treinamento) usado em outras instituições ou divulgado na literatura que pode ser uma “boa idéia” para ser aplicada também na própria instituição.
 
Esses aspectos de modo algum estão completamente errados. Aliás, é bastante natural querer investir em uma atividade potencialmente exitosa ou em um trabalho que as pessoas esperam que façamos, gerando satisfação de estarmos fazendo “a coisa certa”. Também é natural, até certo ponto, querer aplicar modelos de atividades implementadas em outras situações, o que, por sua vez, produz certa tranqüilidade no profissional, já que ele estará percorrendo o mesmo caminho que outras pessoas ou empresas percorreram/percorrem.
 
Entretanto, será que existe realmente algo que seja considerado previamente a coisa certa a fazer? Será que existe um modelo teórico prontinho para ser aplicado indiscriminadamente em qualquer contexto? A resposta pode ser não, caso inexista um levantamento prévio dos vários aspectos da instituição de transporte, como, por exemplo, no nível organizacional: seus objetivos e metas, suas necessidades, limitações e potencialidades; e, no nível individual, ou seja, dos funcionários: o conhecimento sobre a estruturação do trabalho e os processos relacionados. Sem um conhecimento mínimo de alguns desses aspectos práticos, é provável que o profissional dê um tiro no escuro, mesmo achando que está fazendo um bom trabalho!
 
Uma pequena estória pode nos ajudar a entender melhor isso. Certa vez, uma psicóloga foi convidada pelo comandante de um batalhão de trânsito para dar uma palestra sobre motivação para seus policiais. O oficial queixava-se que seus subordinados estavam sem empolgação para trabalhar, sendo necessário reverter tal situação. A psicóloga, por sua vez, sabiamente, resolveu conhecer o local de trabalho dos policiais e conversar com alguns deles, observando todo o contexto de trabalho antes de agir na realidade proferindo a palestra. Quando lá chegou, a profissional logo constatou diversos problemas, dentre eles, a escassez de recursos para abastecer as motos, má qualidade da alimentação fornecida, fardas velhas e desbotadas, coturnos rasgados e daí em diante. Em face dessa situação, a psicóloga concluiu que de nada adiantaria uma simples palestra sobre motivação, pois não atenderia as necessidades dos policiais, podendo inclusive causar um problema maior na organização, já que o problema atribuído aos indivíduos mais parecia ser o reflexo de um problema da própria corporação. Moral da estória: deve-se conhecer para intervir com proveito.
 
Se pensarmos como essa psicóloga, concluiremos que não existe “a coisa certa” a fazer, mas existem necessidades institucionais diferentes que cabe ao estagiário ou profissional a habilidade e a sensibilidade para reconhecê-las por meio de um levantamento diagnóstico. Nesse sentido, indicações de atividades e/ou modelos de intervenções estabelecidos previamente, sugeridos por alguém que, não raro, desconhece a situação, ou indicados pela literatura da área, podem ser desastrosos se tomados sem a devida cautela.
 
Caberá ao profissional focar no trabalho que seja importante para a organização e os indivíduos que nela trabalham, fundamentando sua atuação em um levantamento sistemático de informações. Simultaneamente, a identificação do problema e das soluções está associada ao domínio que se tem da literatura específica da área de atuação e de outras áreas associadas. Por meio da integração das informações advindas dessas duas fontes, é provável que você, caro profissional, em sua intervenção em instituições de transporte, contribua efetivamente possibilitando a aplicação racional dos recursos da instituição e a felicidade das pessoas no ambiente de trabalho.

Recomendações de Leituras (II)

postado em 24 de ago de 2011 22:24 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:50 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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No artigo anterior, fiz várias indicações de livros relacionados à Psicologia e Trânsito, nacionais e internacionais. Neste artigo, continuo postando indicações de leituras, leituras estas mais de cunho científico. Isto porque estudantes e profissionais (ou não) do trânsito, têm nos solicitado material bibliográfico para auxiliá-los em trabalhos acadêmicos.
 
Disponibilizo a seguir um link com artigos científicos, relatórios, monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado, todos disponibilizados gratuitamente online. Tais referências se relacionam à Psicologia do Trânsito. Bom, pelos menos a maioria pode ser considerada como tal. Outras são de áreas afins, mas que podem ser interessantes para o estudo do trânsito. Algumas estão em inglês e em espanhol. A maioria, no entanto, está em português.
 
Venho selecionando e arquivando essas referências há um bom tempo, garimpando em diversos sites e bases de dados eletrônicas. Espero, assim, ajudar aos alunos e profissionais de diversas áreas, possibilitando um acesso facilitado e direto às referências bibliográficas sobre trânsito que são, quase sempre, escassas.
 
Àqueles que também desejaram contribuir conosco na ampliação das sugestões.
 
Acesse os artigos científicos aqui.
Acesse as dissertações e teses aqui.
Acesse os relatórios técnicos aqui.

Recomendações de Leituras - Psicologia e Trânsito

postado em 24 de ago de 2011 22:20 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:51 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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Desde que comecei a escrever o blog “Psicologia e Trânsito” internautas de vários estados brasileiros têm postado recados ou enviado e-mails querendo conhecer mais sobre a Psicologia do Trânsito. Supomos, com isso, que os temas aqui abordados, além de subsidiarem algumas reflexões, estão servindo de “porta de entrada” para um maior aprofundamento dos assuntos. Nada mal!

Alegra-nos saber que as pessoas, sejam elas estudantes e profissionais (ou não) do trânsito, têm nos solicitado material bibliográfico sobre psicologia e trânsito para auxiliá-los nas atividades. Em função dessa demanda, resolvi oferecer aqui algumas indicações de leituras que podem ser interessantes.

Neste artigo começo com indicações de livros, nacionais e internacionais. Apresentamos, na maioria dos casos, breves comentários retirados do próprio material ou dos sites das editoras. Em alguns situações, realizamos pequenas alterações por questões de espaço e de entendimento.

É oportuno esclarecer que nossa pretensão é apenas divulgar, sem nenhum intuito comercial. Maiores informações sobre as obras devem ser adquiridas nas respectivas editoras ou por meio da aquisição dos livros.

Àqueles que desejaram contribuir conosco na ampliação do acervo de recomendações, fiquem à vontade para postar sua sugestão.
 
Acesse a lista aqui, e bons estudos!

Balanço das Atividades e Sugestões

postado em 24 de ago de 2011 21:52 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:52 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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O período Natalino nos inspira reflexões sobre nossa conduta e sobre o resultado de nossas ações no decorrer do ano, ensejando renovação e aperfeiçoamento nas nossas relações conosco, com o próximo e com o nosso trabalho.

Aproveitando este clima, é tempo de realizar um balanço sobre as atividades empreendidas aqui em nossa coluna, em pouco mais de um ano de existência...

Ao longo deste período, foram abordados diversos temas relativos ao trânsito de pessoas e veículos, de modo a proporcionar reflexões e mudanças de comportamentos, tanto ao volante, quanto ao caminhar.

Várias linhas foram escritas sobre temas que abordaram o trânsito como um espaço de convivência social; o papel dos pais enquanto os primeiros instrutores de trânsito; os perigos potenciais do aprendizado ao volante fora da auto-escola; temas que transmitiram informações para que os natalenses soubessem e refletissem sobre os problemas do trânsito de nossa cidade; sobre a manutenção veicular para a proteção ambiental como uma necessidade; a importância da comunicação das mudanças no trânsito para a diminuição dos riscos de acidentes; sobre o uso da internet na educação de trânsito; de sugestões para promover segurança no trânsito; além de prestar alguns esclarecimentos sobre as emoções ao volante, só pra citar os artigos mais recentes.

No decorrer do ano, a coluna Psicologia e Trânsito recebeu vários acessos. Pessoais de diferentes lugares do Brasil e do Exterior deixaram comentários e mandaram e-mails, elogiando, agradecendo, incentivando, criticando os artigos, visando sempre a boa comunicação, o que me deixa, particularmente, bastante feliz.

Recebemos visitas da Espanha, Portugal, Angola e Estados Unidos. No Brasil, além das visitas dos internautas do Rio Grande do Norte, recebemos visitas de Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Espírito Santo, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Bahia, Paraná e Piauí.

Acredito que, com isso, o conteúdo dos artigos parece ser interessante não só para a realidade local (Natal), mas também nacional, uma vez que os artigos publicados variam quanto à temática, e procuram acompanhar a dinâmica dos acontecimentos e dos problemas vivenciados pelas pessoas no Brasil; além de servir de fonte de informação para os brasileiros que moram no exterior.

Muitos comentários foram postados pelos internautas, que expressaram o produto de suas reflexões e suas atitudes de mobilização para um trânsito melhor, sendo possível identificar, desse modo, que os textos atingiram um público variado, desde os cidadãos comuns, estudantes universitários e do ensino médio, que não trabalham com o trânsito profissionalmente, até os profissionais do trânsito, como, por exemplo, policiais rodoviários federais, psicólogos do trânsito, supervisores de segurança de transportadora, funcionários de Detrans, instrutores e diretores de auto-escolas.

Todas essas pessoas, de algum modo, se interessaram pela coluna, seja como fonte de informação, de pesquisa, de trocas profissionais, de manifestação de opiniões e reivindicação de direitos.

O trabalho desenvolvido nesta coluna também rendeu divulgação em congressos científicos de trânsito, como o Congresso Trânsito e Vida – 5° brasileiro e 1° Internacional - em que mostramos nossa iniciativa e viabilidade de ações como estas a partir dos próprios órgãos responsáveis pelo trânsito.

Além da divulgação científica, os textos escritos despertaram o interesse da mídia de nossa cidade, que utilizaram algumas informações aqui divulgadas para subsidiar reportagens e matérias sobre trânsito, pondo em destaque as discussões sobre a conduta humana no ambiente do tráfego.

Isto demonstra que a Internet é, realmente, um meio de comunicação que possibilita ampla divulgação das informações e pode ser muito bem utilizada como instrumento de educação para o trânsito. Demonstra, ainda, que o objetivo e as expectativas dos resultados que tínhamos em relação à coluna, estabelecidas desde o primeiro texto publicado em novembro de 2006, estão sendo efetivamente atendidos.

Por tudo isso, venho expressar meus sinceros votos de agradecimento à todos os leitores que, com muita paciência, têm acompanhado os textos publicados, aos profissionais do trânsito que têm divulgado esta iniciativa e utilizado nosso conteúdo para discutir/esclarecer os seus funcionários, parceiros e sociedade, e à psicóloga Lílian de Oliveira, pela valiosa contribuição em dois dos textos publicados.

Finalizando, gostaria que os leitores deixassem sugestões de temas, assuntos, discussões, esclarecimentos etc., relativos ao trânsito de pessoas e veículos, que deverão ser abordados nos próximos textos em 2008.

Desejo à todos um Feliz Natal e que possamos continuar aperfeiçoando nossos conhecimentos em prol de um trânsito mais harmônico. Boas Festas!

Como Promover Segurança no Trânsito?

postado em 24 de ago de 2011 21:35 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:52 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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Palestra proferida em outubro de 2007 para funcionários de uma empresa que lida com transporte, por ocasião da semana interna de prevenção de acidentes de trabalho.

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Os automóveis têm contribuído decisivamente no desenvolvimento das sociedades, aumentando a capacidade e a rapidez da locomoção das pessoas, da comercialização de produtos, conhecimentos, tecnologias e cultura. Todavia, observam-se sérias conseqüências negativas, principalmente, nas questões ambientais e de saúde pública, gerando altos custos sociais e sofrimentos incontáveis para os envolvidos. Nesse sentido, o trânsito é considerado uma problemática das mais importantes do século XXI.

Esses aspectos negativos têm gerado demandas para os órgãos responsáveis pelo trânsito, empresas de transporte e profissionais que lidam nesse campo. Uma pergunta comum a todos esses envolvidos é: como promover segurança no trânsito?

Esta é uma tarefa das mais difíceis e que deve ser desempenhada de forma constante, não apenas em campanhas na semana nacional de trânsito ou na semana de prevenção de acidentes, isto porque muitos são os fatores internos e externos aos indivíduos que estão interagindo, determinando comportamentos que ameaçam a segurança e produzindo acidentes.

Nesta oportunidade, irei comentar alguns fatores individuais, por considerar que, tendo consciência deles, os motoristas podem melhor refletir sobre sua própria conduta e modificá-la. Eventualmente, comentarei um pouco como pode a empresa facilitar e estimular este processo de reflexão e mudança.

Na busca dos porquês da ocorrência de comportamentos de risco (entendendo comportamento de risco como condutas ao volante que aumentam as chances da pessoa se envolver em acidentes, por exemplo: dirigir em velocidade, costurar no trânsito, não sinalizar as ações ao volante etc.), dois aspectos têm influência e devem ser levados em consideração na segurança no trânsito, são: o “saber” e o “querer”.

Os comportamentos de risco, podem ser considerados, com as devidas limitações, resultantes de falhas no processo de “saber se comportar” e “querer se comportar”.

Assim, nesses breves minutos que me foram confiados, pretendo possibilitar a vocês a compreensão desses dois termos (saber e querer) e a importância de aliá-los para promover a segurança no trânsito.

O primeiro ponto a ser abordado, o saber.

O conhecimento das leis e resoluções de trânsito e os porquês delas existirem, é uma tarefa básica para todos que circulam e uma responsabilidade de quem dirige.

Infelizmente, muitas das transgressões às normas de circulação e dos acidentes de trânsito, ocorrem em função do não conhecimento do que é ou não permitido fazer.

Numa rápida enquete, poderíamos perguntar aqui: quem já leu o código de trânsito? Há quanto tempo?

O código de trânsito brasileiro estabelece a forma como devemos nos comportar no ambiente do tráfego. Nele, estão contidas as condutas a serem tomadas ou evitadas. Apesar de fazer parte do nosso papel enquanto profissionais do trânsito procurarmos estar informados sobre a legislação, parece ser cada vez mais raro e distante da realidade aqueles que lêem o código.

Parece ser essencial também que as empresas que lidam com transporte estimule o estudo da legislação e ofereçam treinamentos e atualizações sobre os conhecimentos na legislação. Ações desse tipo deveriam fazer parte da cultura dessas organizações.

Nesse momento, é oportuno chamar a atenção para um aspecto importante: o código de trânsito estabelece apenas a forma como devemos nos comportar no ambiente do tráfego, mas não estabelece as razões pelas quais essas normas foram estabelecidas.

Discutir as razões é um dos papéis da educação para o trânsito, que deveria abordar diversos temas do trânsito, relacionando-os, através de linguagem simples, situações cotidianas da realidade do motorista, construindo um espaço para informar, esclarecer e despertar o senso crítico.

Entretanto, o que se observa é a simples memorização do que é certo ou errado. Se perguntarmos para um condutor o porquê de determinada norma, ele dirá, provavelmente, que é por conta da lei, que assim manda, ou por conta da multa que deve ser evitada, e não porque torna a sua conduta ao volante menos arriscada e mais segura.

Desse modo, o conhecimento da norma e da justificativa de sua existência pode ser o primeiro passo para que ela seja cumprida.

Agora temos um porém...

Se, por um lado, o saber é um primeiro e importante passo para o comportamento seguro, por outro, é interessante reconhecer que saber das normas de circulação e das justificativas de sua existência não garante que as pessoas se comportarão adequadamente.

Chegamos, então, ao segundo ponto, o querer.

O querer se comportar é outro elemento fundamental, sem o qual não será possível o trânsito livre dos acidentes.

O querer é uma tendência ou inclinação da pessoa a manifestar um determinado comportamento.

O fato de sabermos, mas não querermos nos comportar de determinada forma está presente em toda a nossa vida de modo bastante marcante.

É sabido, por exemplo, que é importante usar equipamentos de proteção individual em alguns trabalhos de risco, no entanto, muitos são os casos de acidentes de trabalho que teriam sido facilmente evitados se isso fosse levado
em conta. No trânsito, não é diferente.

Sabemos que é proibido falar ao celular dirigindo, não utilizar o cinto de segurança ou o capacete, passar no sinal vermelho, conduzir o veículo alcoolizado, circular em velocidade alta para o trecho, estacionar em local proibido etc., mas, mesmo assim, nos comportamos inadequadamente em alguns momentos.

Mas, se a segurança é bom para todos, porque, em algumas situações, as pessoas não querem se comportar adequadamente?

Muitas são as razões para isso, mas a motivação para correr riscos pode ser é uma das prováveis explicações.

O fato é que nós aceitamos correr mais ou menos riscos dependendo da situação a qual estamos vivenciando no momento e dos benefícios que estão em jogo e podem ser obtidos.

De acordo com esse raciocínio, checamos continuamente a quantidade de risco a que sentimos estar expostos e comparamos com a quantidade de risco que estamos motivados a aceitar para que nossos ganhos sejam maximizados na situação.

Em função desse “cálculo”, se assim podemos chamar, entre o nível de risco percebido e o nível de risco aceito, ajustamos o nosso comportamento, agindo, conseqüentemente, de modo mais ou menos arriscado.

Quantas vezes não passamos por diversas situações de perigo (ou mesmo de acidente) por aceitar um maior nível de risco para aproveitar ao máximo as nossas habilidades, a potencia do veículo ou a agilidade que ele possui?

Devemos sempre procurar refletir sobre a nossa motivação para o risco no ambiente do tráfego, pois, muitas vezes, sabemos o que é certo e errado, mas, mesmo assim, agimos equivocadamente para maximizar os próprios benefícios, sejam eles financeiros ou afetivos.

O problema, todavia, não reside em querermos nos beneficiar ou aproveitar as possibilidades, o que, aliás, é, até certo ponto, racional e justo. O problema reside quando nosso benefício ocorre em prejuízo dos demais, através da exposição dos outros usuários ao perigo.

Realizar uma análise constante da nossa motivação para o risco é fundamental. Para isso algumas perguntas podem ajudar, por exemplo: Qual a quantidade de risco que estou disposto a correr neste momento? Por que? Não será a hora de esperar mais um pouco ou ir mais devagar? Vale a pena eu me expor tanto e expor meus passageiros?

As empresas, por sua vez, podem incentivar os funcionários para que eles se motivem para o comportamento seguro e queiram cada vez mais manter um padrão de comportamento saudável. Incentivos financeiros e/ou sociais têm sido usados com sucesso em outros países.

Finalizando, gostaria de retornar ao tema proposto: “como promover segurança no trânsito?”. A resposta à essa pergunta não é simples, ao contrário. Todavia, podemos começar a ensaiar uma resposta investindo esforços freqüentes e sistemáticos através de eventos como este, estimulando e semeando o saber e o querer dos profissionais do trânsito. A partir disso, espero que vocês possam desenvolver uma atitude de reflexão sobre suas próprias condutas no trânsito.

Se o Natalense Soubesse Antes...

postado em 24 de ago de 2011 21:04 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:50 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

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Nesses últimos dias, a televisão tem veiculado sem parar a seguinte propaganda, sobre um novo portal de notícias... Veja o vídeo aqui.

Publicidade à parte, atendo-nos especificamente ao texto, trata-se de uma mídia bastante interessante, cujo tema central é a previsão dos acontecimentos. Prever as coisas sempre foi, e ainda é, o anseio do ser humano. A partir dessa capacidade, o homem pode agir de modo mais adaptativo ao ambiente e às exigências do dia-a-adia, possibilitando, assim, a manutenção de sua integridade física e psicológica.

Mas (e sempre tem um mas!), será que se o homem realmente soubesse de tudo antes, ele mudaria seus comportamentos, agindo de modo a sofrer menos e viver melhor, como diz a propaganda? Bem, esta questão é para você pensar, caro leitor, e tentar verificar se este raciocínio procede ou não.

De qualquer forma, farei a minha parte para lhe informar algumas coisas antes, na expectativa que você mude seu comportamento, a partir de agora, ao circular nas ruas e calçadas, adotando comportamentos corretos e um olhar mais crítico em relação aos problemas do trânsito de nossa cidade. Eis a minha versão para a mídia...

Se o natalense soubesse antes que, em sua cidade, existe maior risco de acidentes de trânsito em pista de asfalto, em pleno dia e com tempo e condições de luminosidade boas, do que em condições adversas, talvez ele não se sentisse tão tentado assim a correr.

Se o natalense soubesse antes que, desde o ano de 2000, as avenidas Roberto Freire, Prudente de Morais e Bernardo Vieira se alternam nas três primeiras colocações no ranking das vias mais perigosas, ele colocaria nelas vários avisos com placas bem luminosas, dizendo: “A partir de agora, você está trafegando em uma zona de alta periculosidade, qualquer deslize pode ser fatal”.

Se soubesse antes que grande quantidade dos acidentes com vítima em Natal ocorrem aos sábados e domingos, ele não abusava da cerveja, da caipinha, do Wisky com Red Bull...

Se o natalense soubesse antes que Lagoa Nova, Tirol, Alecrim e Capim Macio são, nessa ordem, os bairros com os maiores índices de acidentes, ele exigiria, na mesma proporção, um maior compromisso com a segurança, tanto das autoridades, quanto dos moradores e das pessoas que por lá trafegam.

Se o natalense soubesse antes que a metade das mortes no trânsito na Cidade do Sol são de pedestres, ele praticaria já a recomendação do Código de Trânsito que diz que o maior cuida sempre do menor.

Se o natalense soubesse antes que as autoridades de trânsito já sabem de tudo o que foi dito acima e, mesmo assim, muito pouco foi feito, iria indagar para onde está indo ou como está sendo gasto o dinheiro das taxas e multas, e ainda diria aos quatro cantos da cidade, tal qual o jornalista Boris Casói: “I-S-T-O É U-M-A V-E-R-G-O-N-H-A!”.

Caro leitor, agora você está sabendo antes de algumas coisas importantes sobre o trânsito de nossa cidade (se é que já não sabia!). Tomara que você possa tomar alguma decisão e agir, de modo que realmente possamos ver menos sofrimento, viver melhor e sonhar mais com um trânsito mais harmônico e saudável.

Fonte: DETRAN-RN. Relatório Estatístico de Trânsito, 2005.

Os Perigos Potenciais da Instrução Informal

postado em 24 de ago de 2011 20:55 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:51 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".
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De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, cabe às auto-escolas, através de um instrutor devidamente capacitado e autorizado pelo órgão executivo de trânsito, a formação dos novos condutores. Todavia, quase dez anos depois da entrada do código, ainda é bastante comum os jovens aprenderem a dirigir através da instrução informal, que é o aprendizado através de pessoa não qualificada, geralmente um amigo, irmão, pai ou outra pessoa mais próxima.

Outro dia, enquanto estava na fila de um caixa eletrônico, observava um grupo de jovens que conversavam alto. Eles comentavam que tinham aprendido a dirigir entre os quinze, dezesseis anos com amigos, e seus pais consentiam, liberando os veículos para as “aulas” e para dirigirem nas praias, no veraneio; afinal de contas, "não devia chegar à auto-escola sem saber de nada!", dizia um jovem.

Este exemplo deve fazer-nos pensar seriamente sobre a “formação” do nosso futuro condutor. Se, por um lado, o fato de termos um amigo, um tio ou um pai nos ensinando facilita o processo de aprendizagem, por outro, pode ser bastante perigoso, uma vez que esses instrutores informais não são devidamente capacitados para auxiliar nas dificuldades dos aprendizes, nem sabem, muitas vezes, passar as instruções adequadamente. Desse modo, eles podem transmitir aos seus “alunos” uma série de vícios e valores pessoais incompatíveis com um convívio harmônico no trânsito, possibilitando a perpetuação de muitos erros e comportamentos inadequados que observamos nas ruas.

Alguns instrutores de auto-escolas reclamam, por exemplo, que muitos dos seus alunos chegam com vícios comportamentais variando entre aspectos considerados pouco graves, de fácil correção (como dirigir com o pé esquerdo em cima da embreagem, deixar o veículo em ponto morto nas ladeiras, não olhar para trás ao dar a ré no veículo) e outros considerados graves e bastante difíceis de serem modificados, devido a resistência à mudança (como andar em alta velocidade, andar na contra-mão de direção, estacionar em local proibido, entre outros). Segundo os instrutores, alguns alunos chegam a questioná-los, dizendo: “como estou errado, se aprendi assim com meu pai? Não vou fazer assim, como você disse!”. Situações como esta têm exigido bastante cautela por parte dos instrutores de auto-escolas mais responsáveis, requerendo, nesse sentido, um diálogo paciente sobre os porquês de sua orientação para a modificação da forma de pensar e agir do aluno.

Diversos fatores concorrem para a manutenção desta cultura de aprender a dirigir com pessoas que nos são próximas (instrutores informais). Analisar esta questão não é simples, mas um fator que merece atenção especial é a crença difundida em nossa sociedade de que “dirigir é um ato banal e que não é perigoso”.

Psicologicamente falando, crença quer dizer algo que pensamos ser o real, correto, verdadeiro e direciona muitas das nossas ações no dia-a-dia. É o que acontece com a crença compartilhada socialmente a qual me referi acima. De acordo com ela, "se considerarmos que dirigir é um ato simples e banal, certamente não haverá razões para tomarmos maiores precauções ou cuidados, uma vez que dirigir não é perigoso!". Desse modo, é possível compreender o porquê de muitos pais entregarem as chaves dos veículos aos seus filhos antes dos 18 anos.

Todavia, é oportuno reconhecer que dirigir não é uma atividade tão simples quanto se imagina; isto porque, conduzir seguramente depende do desenvolvimento de algumas competências psicológicas e comportamentais importantes a fim de que o novo condutor possa: tomar e processar corretamente as informações, julgar e decidir rapidamente o procedimento mais adequado para o momento, responder prontamente conforme sua decisão e obter o feedback (retorno) de suas próprias ações no trânsito para a necessária correção ou adaptação; enfim, uma série de processos que não nos damos conta que estão ocorrendo quando estamos dirigindo...

Caro leitor, possivelmente, algum dia, você poderá ser convocado a ser um instrutor informal, e assim, não pense que ensinar alguém a dirigir será um tarefa fácil! Quando lhe chamarem para dar “aquelas aulinhas para o seu irmão mais novo não chegar à auto-escola sem saber de nada”, recorde dos perigos potenciais da instrução informal e da necessidade de se desenvolver as competências dos alunos. Haja, então, com responsabilidade, colocando sua decisão na balança do bom senso, porque, afinal, também depende de você zelar por uma circulação cada vez mais livre de perigos.

Trânsito: Um Espaço de Convivência Social

postado em 24 de ago de 2011 20:33 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:49 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

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O trânsito é um grande espaço que possibilita, entre outras coisas, o encontro e o convívio social entre as pessoas. Entretanto, esse convívio nem sempre ocorre de forma satisfatória ou harmoniosa, o que não raro gera irritação, estresse, conflitos e confusões. Muitos fatores influenciam para que isso tudo aconteça. Sabemos que fatores econômicos, sociais, culturais e ambientais da atualidade, por exemplo, vias esburacadas e mal planejadas, sinalização precária ou a falta dela, grande quantidade de atividades e a exigência pela rapidez na execução das nossas tarefas, as constantes enchentes, os altos índices de poluição, enfim, tudo isso contribui realmente para não termos uma circulação humana de qualidade nas cidades. Assim, cria-se uma visão negativa do trânsito e se diz frequentemente que “o trânsito” é ruim, “o trânsito” é desgastante, “o trânsito” é isso ou aquilo. Por outro lado, tomando somente esses fatores, tendemos a nos excluir do nosso compromisso de cidadãos para um trânsito harmônico, pois, além desses, existe outro de que não se pode esquecer: o fator individual ou humano, que representa a nossa parcela, a nossa contribuição para o bom ou mau convívio com as pessoas no ambiente do tráfego.

Vejamos o exemplo a seguir. Enquanto João está passeando tranquilamente de carro, mostrando a cidade para sua nova namorada, José, que está em um veículo atrás, espera o momento de acelerar e ultrapassar, pois está meia hora atrasado para o trabalho. Carla, por sua vez, está na mesma avenida, ao lado de João e José, e encontra-se bastante ansiosa, com mil preocupações, porque tem de efetuar um pagamento no banco que está fechando e, ainda, pegar o filho no inglês e deixá-lo na casa da avó. Já Sandra, está indo a pé para a universidade e caminha, distraidamente, sobre a faixa de pedestres que está em frente ao mesmo semáforo, que está fechado. Dedé, o flanelinha, está no local tentando convencer o apressado José a deixá-lo limpar o para-brisa, a fim de ganhar um trocadinho…

Pois bem, perceba, caro leitor, que o exemplo ilustra o que acontece com a vida de milhares de pessoas todos os dias nas cidades. Cruzamos com muita gente no trânsito, motoristas e pedestres, cada qual com seus próprios pensamentos, objetivos, anseios, necessidades etc. Se não soubermos lidar com esses aspectos individuais, fatalmente entraremos em desacordo com os demais usuários do trânsito e, consequentemente, a fúria, a raiva, a ansiedade ou o medo se expressarão através do nosso comportamento na via ou na calçada. Compreender o trânsito como um espaço de convivência social pode ser algo importante para nos ajudar a minimizar ou diluir muitos dos conflitos que presenciamos no cotidiano, porque, uma vez tendo a compreensão de que cada indivíduo que está na rua, assim como nós, tem a sua necessidade, o seu próprio objetivo ao trafegar, poderemos adquirir uma compreensão mais ampla do ato de circular e, desse modo, poderemos estar mais preparados para enfrentar alguns eventos estressantes que possam acontecer, munidos com um pouco mais de tolerância e respeito. Compreender que o trânsito é um espaço de convivência social significa dizer que ele não pertence só a nós, caro leitor, mas a todos na mesma medida; significa que os interesses individuais no momento que se entrecruzam devem ser negociados visando o bem coletivo, pois, assim como nós, outros também estão querendo utilizar o espaço que lhes é de direito.

Portanto, antes de o leitor dizer qualquer coisa negativa sobre o trânsito, procure primeiro indagar-se sobre seus próprios comportamentos que contribuem para que esse espaço seja considerado negativo. E, ao circular, quando o leitor se der conta de que está agindo de modo inadequado com os outros usuários, procure lembrar-se de que esse é um espaço de convivência social, que eles também têm interesses específicos diferentes dos nossos e que tais interesses poderão entrar em choque a qualquer momento. Quando isso acontecer, como você agirá?

TRÂNSITO e PSICOLOGIA?! Mas, o que isso tem a ver?

postado em 24 de ago de 2011 16:06 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:49 atualizado‎(s)‎ ]

Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

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Caro leitor, é com grande entusiasmo que escrevo esta minha primeira coluna neste blog. Minha alegria é dupla. Primeiramente, por falar a respeito da psicologia, área em que sou formado, e, segundo, porque vou falar de uma especialidade muito pouco conhecida, a qual tenho me dedicado a estudar e pesquisar, que é a psicologia do trânsito. Psicologia do... TRÂNSITO?! Isso mesmo, psicologia do trânsito! Não tenho notícias de um psicólogo do trânsito fazendo isto em nosso país, a não ser em textos esporádicos em alguns jornais. Por isso, escrever uma coluna semanal sobre esse tema é também, para mim, um grande desafio pessoal e profissional. Espero, portanto, fazer um trabalho bem feito e útil para você, leitor, em suas reflexões.

Para que possamos entender a importância de se falar em uma psicologia dedicada a estudar o trânsito e como ela pode ajudar a melhorar a situação neste espaço, é fundamental, em primeiro lugar, tomarmos consciência do papel central que o trânsito exerce em nossas vidas. Sem esta consciência, não fará sentido algum relacionar trânsito e psicologia. Permita-me, então, propor um exercício: imagine um dia típico seu. Pense em todas as atividades que você desempenha ao longo das 24h. Pense o quanto se desloca para chegar até elas. Pense em quantos deslocamentos você realiza em um dia típico. Pense ainda como se dá esse deslocamento: de carro? moto? ônibus? a pé? Procure pensar onde está o trânsito nesta sua rotina.
 
Pois bem..., alguns poderão pensar: acordo, tomo café, vou para o trabalho, saio para almoçar, em seguida, retorno ao trabalho, volto pra casa à noite, chego em casa, saio à pé para comprar o pão etc. Após este exercício, fatalmente, você poderá logo chegar a seguinte conclusão: é quase impossível não se deslocar! É impossível não participar do trânsito em algum momento, seja como pedestre, condutor ou passageiro, e que seria impossível uma sociedade que não pudesse se deslocar, uma vez que o trânsito possibilita, dentre inúmeras coisas, a troca de mercadorias que garantem o desenvolvimento das cidades, o intercâmbio de conhecimentos, tecnologias e cultura.

A psicologia do trânsito estuda exatamente o comportamento das pessoas que participam do trânsito, este sistema complexo que, apesar dos grandes avanços que vem nos possibilitando, também vem se mostrando bastante problemático. Desse modo, todos os envolvidos no trânsito, direta e/ou indiretamente, são “objetos” da psicologia do trânsito: motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, engenheiros de tráfego, instrutores de trânsito etc. Assim, a psicologia do trânsito procura investigar os fatores determinantes dos comportamentos neste espaço, sob que condições eles se manifestam, bem como os diversos aspectos (psicológicos, sociais, culturais, políticos, econômicos...) que estão implicados nesses comportamentos, tendo como finalidade colaborar para a segurança e o bem-estar das pessoas em seus deslocamentos.

Feitas essas considerações, o meu objetivo neste espaço para os próximos artigos será colocar os temas “trânsito” e “comportamento humano” em foco. Procurarei fazer isto abordando diversos temas estudados pela psicologia do trânsito, relacionando-os com situações cotidianas da realidade do nosso país. A minha expectativa é construir aqui um espaço para informar, esclarecer e despertar o senso crítico dos usuários do trânsito, possibilitando uma reflexão (e quem sabe uma mudança) de suas próprias ações neste espaço. É o que espero conseguir.

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